As mulheres na Igreja

Passar das palavras à vida

A presença das mulheres nos órgãos eclesiais a todos os níveis e a participação feminina nos processos de decisão eclesial é um dever de justiça, que encontra inspiração no modo como Jesus se relacionava com homens e mulheres do seu tempo.

Com a partilha dos textos que se seguem terminamos a reflexão que viemos a apresentar ao longo deste ano de 2018, apontando para a necessidade de passarmos definitivamente das belas palavras às ações concretas.

O documento final da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre “Os jovens, fé e o discernimento vocacional”, votado e aprovado no dia 27 de outubro passado, diz expressamente no seu nº 148:

Uma Igreja que procure viver um estilo sinodal não poderá deixar de refletir sobre a condição e o papel das mulheres no seu interior e, consequentemente, também na sociedade. Os jovens pedem-no com grande força. As reflexões desenvolvidas precisam de ser implementadas através de um trabalho de corajosa conversão cultural e de mudança nas práticas pastorais quotidianas. Uma área de particular importância a este respeito é a da presença das mulheres nos órgãos eclesiais a todos os níveis, também em funções de responsabilidade, e a da participação feminina nos processos de decisão eclesial, respeitando o papel do ministério ordenado. Trata-se de um dever de justiça, que encontra inspiração tanto no modo como Jesus se relacionava com homens e mulheres do seu tempo, quanto na importância do papel de algumas figuras femininas na Bíblia, na história da salvação ena vida da Igreja.

As afirmações são claras e vão sendo feitas nas mais diversas ocasiões e situações e registadas num número também cada vez maior de textos e documentos. Apesar disso, a questão continua a ser debatida e falta a coragem aludida no texto para se passar das afirmações aos modos de vida. Reconheço a existência de sinais positivos nesse sentido, mas parecem-me ainda tímidos.

Neste contexto, não posso deixar de notar que, apesar de este ponto ter recebido uma larga maioria de votos favoráveis (201), foram ainda 38 os votos negativos. São poucos dirão alguns, são demais parece-me a mim.

A partilha dos textos que se seguem quer continuar a desenvolver a reflexão, apontando para a necessidade de passarmos definitivamente das palavras à vida.

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