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Papa Paulo VI e Óscar Romero, santos

Em pleno Sínodo dos Bispos sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, o Papa Francisco proclama santos para toda a Igreja, o seu predecessor e mestre, o Papa Paulo VI, e D. Óscar Romero, o arcebispo de São Salvador, defensor dos campesinos¸ assassinado ao pé do altar, no dia 24 de março de 1980. Juntamente com eles serão beatificados dois padres, duas religiosas e um leigo.

A primeira pergunta que pode surgir é a seguinte: Era mesmo necessário canonizar mais um Papa? Quem é Paulo VI para os jovens e para os crentes do nosso tempo? Com certeza o Papa Paulo VI não tem a fama do seu sucessor João Paulo II.

Como escreveu o jesuíta Bartolomeu Sorge, esta dupla e contemporânea canonização tem um significado excepcional: “vem para confirmar que o mesmo Concílio Vaticano II foi um evento extraordinário de santidade, um novo Pentecostes, como disse o Papa João XXIII. De facto, depois da canonização, em 2014, do Papa Roncalli, inspirador, iniciador e guia do Concílio na primeira fase, o Papa Francisco proclama santo também o Papa Montini, que levou a termo o Concílio”.

Contudo, como bem disse o postulador da causa de Paulo VI, não é canonizado o papel do Papa, mas sim o homem João Baptista Montini. O pai era jornalista e político, a mãe uma mulher que na periferia de Brescia (cidade perto de Milão onde vivia a família) mantinha a porta aberta a todos: quem tinha problemas, não só económicos, ia ter com ela. O pai transmitiu-lhe a fé através do amor ao estudo, ao pensamento e à pesquisa; a mãe era mais concreta através das práticas de vida espiritual e da oração a Nossa Senhora.

Paulo VI
Paulo VI

Paulo VI não será um santo mediático, mas precisa ser descoberto nos seus gestos simples e proféticos, como, por exemplo, quando beijou os pés do enviado do Patriarca Atenágoras, avisando os seus secretários: “Farei um gesto, não me impeçam!”. Do cilício que levava sem que ninguém soubesse nada. Ou das noites passadas a estudar e aprofundar as questões debatidas durante o Concílio. Ou da sua relação com o amigo e estatista italiano Aldo Moro, sequestrado pelas Brigadas Vermelhas, que quis substituir para o salvar, perante a incapacidade de ação dos políticos daquela época.

O milagre que levou à canonização de Paulo VI

O milagre foi simples e complexo ao mesmo tempo. As pessoas não sabiam quem era Paulo VI. A mulher realiza por emdo uma amniocentese e depois de uma semana perde o líquido amniótico, o que levaria ao aborto e à perda do feto. Fala com uma amiga enfermeira e com um amigo ginecologista que lhe dizem: “Sabes que nestes dias é beatificado Paulo VI com um milgare semelhante, rezem ao Papa”.
Estavamos no início de outubro de 2014 e o Papa seria beatificado no dia 20 de outubro. O casal viaja até Brescia, sem dizer nada a ninguém, encontra uma pagela do Papa Paulo VI no Santuário das Graças, levam-na para casa e rezam ao longo de três meses. A gravidez chega ao início da décima terceira semana. Sem líquido amniótico o feto aguenta, a mãe é internada cinco vezes para conseguir  mantê-lo. No fim da vigésima sesta semana, os médicos reparam em algo de inacreditável e a bebé nasce, saudável, no dia de Natal.
Eu, a brincar, costumo dizer que Paulo VI deveria pagar a comida e o alojamento a esta família, pois ali arranjou abrigo por três meses! Para mim, João Baptista Montini deveria ser invocado como protetor da vida nascente”,

Pe. Antonio Marrazzo, postulador da causa de canonização de Paulo VI

in Conchas, 14 de outubro de 2018

D. Óscar Romero

D. Óscar Romero, após a morte violenta de um amigo padre, teve, já bispo,
a sua conversão: abriu os olhos para a realidade da sua terra e deu-se conta que a injustiça e o pecado flagelava o seu povo. Como pastor, não se furtou ao seu compromisso de defender, consolar e estar ao lado do povo sofredor.

San Salvador: Arcebispo Óscar Romero a pregar. Foto de Gadmer, Bethlehem Mission.
San Salvador: Arcebispo Óscar Romero a pregar. Foto de Gadmer, Bethlehem Mission.

Consciente que esta sua atitude podia levá-lo a ter uma morte violenta, falou diretamente para os soldados, deste modo: “Irmãos, vós vindes do mesmo povo. Estais a matar os vossos irmãos camponeses. Nenhum soldado é obrigado a obedecer a uma ordem contrária à lei de Deus. Ninguém tem de obedecer a uma lei imoral. É altura de obedecerdes às vossas consciências e não a uma ordem pecaminosa. Em nome de Deus, em nome deste povo sofredor cujos gritos se elevam cada dia mais alto no céu, imploro-vos, suplico-vos, ordeno-vos: em nome de Deus, parai com a opressão”.

Aos órgãos de informação poucos dias antes do seu assassínio, disse: “Se eles me matarem, eu nascerei de novo entre o povo salvadorenho. Digo isto sem presunção, com a maior das humildades. Como pastor, sou obrigado por mandamento divino a dar a minha vida por aqueles que amo e que são todos os salvadorenhos, incluindo aqueles que poderão matar-me”.

in Pica-Pau, 14 de outubro de 2018

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