A Religião dos Portugueses

Originalmente publicado em 1988, A Religião dos Portugueses representa a tentativa do autor de compreender e exprimir o que de próprio e específico se reveste a experiência religiosa da cultura e do ser português. Num estilo de escrita a que o Frei Bento já nos habituou – ensaística, de aproximação, com recurso ao que de melhor se produz no nosso país nas áreas da literatura e das ciências humanas –, o autor percorre a história das relações da Igreja com o Estado Novo no seu período final, as mudanças provocadas pelo 25 de abril e a receção do Concílio Vaticano II em Portugal, além da centralidade da experiência eclesial de Fátima, referida como Cais de passagem e como novo Livro do Desassossego.

O texto original foi consideravelmente revisto e enriquecido com novos contributos, inéditos ou oriundos da reflexão que o autor desenvolveu nas suas crónicas semanais no jornal Público. A leitura de Fátima recebe uma nova luz com o pontificado de Francisco: as interpelações lançadas pelo autor sobre a necessidade de um estudo crítico das fontes sobre o fenómeno receberam, entretanto, novos desenvolvimentos; por outro lado, as carências referidas do meio eclesial português no que toca à sua formação teológica e à sua capacidade crítica de leitura dos sinais dos tempos permanecem, infelizmente, muito atuais. Mas o que impressiona na escrita de Frei Bento é a sua capacidade intelectual e pluralidade das suas referências – de Eduardo Lourenço a Agustina Bessa-Luís, de Fernando Pessoa a António José Saraiva – e o tom aberto da sua escrita, coloquial, capaz de ir ao encontro do timbre afetivo, ameno, paciente e resiliente da nossa experiência religiosa enquanto portugueses.

Ler A Religião dos Portugueses é percorrer a história da realidade eclesial do nosso país e do povo que somos, ao longo da segunda metade do século XX, pela escrita de um dos seus melhores e mais profundos conhecedores e intérpretes.

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