Transfiguração: resplandecia como o sol!

A Palavra de Deus

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro e os irmãos Tiago e João e levou-os, em particular, a um alto monte.
E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a neve.

Uma nuvem luminosa cobriu-os com a sua sombra; e ouviu-se, vinda da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho muito amado, no qual encontro a minha alegria; escutai-O.
….
E, ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém esta visão, até que o Filho do Homem ressuscite dentre os mortos”.

Mateus 17, 1-9

A palavra de Santo António

“Jesus tomou consigo Pedro e os irmãos Tiago e João e levou-os, em particular, a um alto monte”.
A montanha, pela sua altura, designa a excelência da vida santa à qual o cristão, depois de ter deixado o vale das coisas temporais, deve ascender pela escada do amor. Lá ele encontrará o Senhor, pois é na excelência da vida santa que encontramos o Senhor.

“Seu rosto resplandecia como o sol”.
Na nossa cara, existem três sentidos: visão, olfato e paladar. O olfato é colocado, como uma espécie de equilíbrio, entre a visão e o gosto. Da mesma forma, na face da nossa alma, há a visão da fé, o olfato da discrição e o gosto da contemplação. Que o rosto da nossa alma também brilhe como o sol, para que o que vemos pela fé resplandeça em nossas obras; que o bem que percebemos internamente, realizemos externamente com discrição; e aquilo que provamos da contemplação de Deus arda no amor ao próximo.

“Uma nuvem luminosa cobriu-os com a sua sombra”.
A graça do Senhor cobre o homem justo, transfigurado no monte da vida santa e protege-o do ardor da prosperidade material, da chuva dos prazeres e da tempestade da perseguição do diabo.
Senhor Jesus, leva-nos do vale da miséria à montanha da vida santa, para que no dia do juízo mereçamos ouvir a voz da alegria, da felicidade e da exultação: “Vinde, benditos do meu Pai”.

Aprofundemos

No coração do verão, celebramos a Transfiguração do Senhor, no início de agosto. Santo António insiste na precisão do Evangelho que fala dos três discípulos escolhidos por Jesus para subir à montanha: “Jesus tomou consigo Pedro e os irmãos Tiago e João e levou-os, em particular, a um alto monte”.

Quando o rosto de Jesus se torna tão brilhante como o sol, António fala dos companheiros que são as três qualidades do sol: brilho, brancura e calor: “Vede como é útil e benéfico pegar nos três companheiros e escalar a montanha da luz, pois esta é a verdadeira transfiguração da figura deste mundo, que passa (1 Cor 7, 31), na figura de Deus que habita para sempre.

E para António é importante fazer brilhar na nossa alma as três qualidades do sol. Que o rosto da nossa alma resplandeça como o sol, a fim de que o bem que vemos pela fé, possa brilhar nas nossas obras; que o bem que percebemos interiormente, o realizemos externamente na pureza da ação, graças à virtude da discrição; e aquilo que provamos enquanto contemplamos a Deus, possa arder no calor do amor ao próximo. Então o nosso rosto brilhará como o sol.

Pois, acrescenta António, também podemos dizer que as roupas de nossa alma são os membros desse corpo que devem ser sempre brilhantes de brancura. Mas que brancura? Como a neve, diz o texto. O Senhor promete aos pecadores convertidos o que Isaías revela: “Quando os vossos pecados forem como escarlate, tornar-se-ão brancos como a neve”. Que as nossas vestes, isto é, os membros do nosso corpo brilhem de brancura, para que o frio da neve, isto é, o arrependimento de nossos pecados, extinga o ardor do pecado e torne nossa vida tão santa quanto possível.


Original: Frei Gérard Guiton, Le Messager de Saint Antoine, juillet-août 2017

Imagem: Igreja de San Rocco em Veneza. A transfiguração, teto da abside decorada por Il Pordenone, em 1528. Foto de Didier Descouens, commons.wikimedia.org.

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