Igreja sem a Mulher

Basta não ser totalmente ignorante em termos historiográficos para se saber que já houve, na Igreja, muitos milhões de mulheres, certamente, centenas de milhão.

Mas, de todas as mulheres que pertenceram à Igreja, muitas delas mães de homens da Igreja que desprezaram e desprezam as semelhantes às mães que permitiram que pertencessem à Igreja, há uma Mulher que é especial, aliás, reconhecida como Mãe da Igreja, de uma Igreja que, em boa parte, desconsidera todas as suas mães, mesmo quando afirma o contrário. Essa Mulher, como é historiograficamente evidente, é Maria.

Ora, Maria não é um mero acidente da vida da Igreja: ela é mesmo mãe, isto é, matriz, útero, útero matricial, cadinho da metamorfose do divino em humano, cálice carnal do corpo de Cristo, fonte de alimento do Salvador, alimento tanto físico, como espiritual.

Não havia absoluto início da Igreja sem Maria

A menos de magia – essa ilógica inimiga da grandeza de qualquer religião ou de qualquer outra atividade verdadeiramente humana – sem o sim de Maria ao pedido não-violento e não-imperial de Deus – o Deus da caridade, não o deus tirano de que apenas os tiranos gostam, incapazes de amar que são –, não teria havido Igreja alguma, porque não teria havido Esse que a fundou, Jesus, O Cristo, o exato filho carnal e espiritual de Maria.

E não há duas destas Marias, sob pena de blasfemar contra o Logos divino.

Maria foi escolhida pelo Espírito como sua Colaboradora, isto é, como sua co-laboradora para a possível santificação da humanidade, esta mesma que se corrompe pelo pecado e, assim, necessita de ser santificada pelo criador de toda a pureza. Criador que nunca violenta o que criou, deixando esse privilégio para o ser humano, este sempre caminhando sobre o fio da navalha que divide a possível besta do possível santo.

Maria é o modelo dessa que sempre caminhou sobre o fio da navalha, desde que disse Sim! ao anjo do Senhor.

Sempre caminhou em perfeito equilíbrio: sábia, forte, temperada, justíssima e justíssima Mestra do Filho.

Sem esta Maria, que é a pre-figura e figura definitiva, da frágil Igreja, também sempre esta caminhando sobre o fio da navalha, sob o sol da divina Providência, que não violenta, repetimos, sem esta Maria, não haveria Igreja.

Que céu haverá para quem, assim, nega a Mãe?

Então, com esta figura como Mãe, como não amar as Mulheres na plenitude da sua grandeza ontológica, não como pseudo-iguais dos homens, mas como suas superiores, precisamente como Maria é superior a todos os homens, menos ao Homem que criou, nutriu, pariu, continuou a criar e, depois, amortalhou e chegou a voltar a ter nos braços, já não como Senhora da Piedade, mas como Senhora do Triunfo?

Que Igreja é essa (não esta, porque há quem o não faça) que, assim, nega a grandeza plena de Maria como Mulher plena? Ou alguém se atreve a negar que Maria é, sempre, Mulher plena? E todas as marias, o que são?

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