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O homem restaurado

A Palavra de Deus

Então Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito para ser tentado pelo diabo. Depois de ter jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome.
O tentador aproximou-se e disse-lhe: “Se tu és Filho de Deus, ordena que estas pedras se transformem em pães”. Mas Jesus respondeu: “Está escrito: O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”.
Então o diabo leva-o à Cidade santa, no cimo do Templo e diz-lhe: “Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Ele dará em teu favor ordem aos seus anjos e eles te levarão nos braços, com receio de que o teu pé se magoe nalguma pedra”. Jesus declarou-lhe: “Está ainda escrito: Não porás à prova o Senhor teu Deus.”
O diabo leva-o ainda ao cume de uma montanha muito alta e mostra-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória. Diz-lhe: “ Dar-te-ei tudo isto se, caindo a meus pés, me adorares”. Então Jesus diz-lhe: “Vai-te, Satanás! Porque está escrito: adorarás ao Senhor teu Deus, só a ele prestarás culto”. Mateus 4, 1-10

A palavra de Santo António

À tentação da gula, Jesus respondeu: Nem só de pão vive o homem (Mateus 4, 4; Deuteronómio 8, 3). Como se dissesse: Tal como o homem exterior vive do pão material, assim o homem interior vive do pão celeste que é a Palavra de Deus. A Palavra de Deus é o Filho, que é a Sabedoria. Sabedoria vem de sabor.
O pão da alma é pois o sabor da sabedoria: por meio dela, ela saboreia as boas coisas do Senhor “e prova como o Senhor é bom” (Salmo 33, 9).

À tentação da glória vã, Jesus respondeu: Não tentarás o Senhor, teu Deus (Mateus 4, 7; Deuteronómio 6, 16). Também Adão tentou o Senhor Deus quando não observou a ordem do Senhor e acreditou na falsa promessa: Sereis como deuses (Génesis 3, 5). Que glória vã acreditar poder tornar-se Deus! Homem miserável! É em vão que te elevas acima de ti; por isso cais miseravelmente abaixo de ti. Não porás pois à prova o Senhor, teu Deus.

Enfim, à tentação da avareza, Jesus respondeu: Adorarás ao Senhor teu Deus, só a ele prestarás culto (Mateus, 4, 10; Deuteronómio 6, 13; 10, 20). Todos os que amam o dinheiro ou a glória do mundo, prosternam-se diante do demónio e adoram-no. Mas nós, por quem Jesus veio no seio da Virgem e sofreu o suplício da cruz, instruídos pelo seu exemplo, devemos ir ao deserto da penitência e, com a sua ajuda, reprimir a paixão da gula, o vento da vã glória e o fogo da avareza,

Aprofundemos

Com Jesus, podemos vencer todas as tentações. “Devemos também retirar-nos para o deserto da penitência”.
A liturgia do primeiro domingo da Quaresma fez-nos ouvir a tentação de Jesus no deserto. S. António descreve com imagens fortes como Jesus foi tentado pelo demónio. Mostra bem o que são as três tentações que designa globalmente como “a tripla tentação de Adão e de Jesus Cristo”. Dá um nome concreto e muito esclarecedor a estas tentações que consistem em três coisas: a gula, a glória vã e a avareza. “Tu encontras com efeito estes três vícios no Génesis. A serpente diz à mulher: no dia em que comerdes [o fruto proibido], os vossos olhos abrir-se-ão, eis a gula; sereis como deuses, eis a glória vã; e conhecereis o bem e o mal, eis a avareza”.

Também Jesus passa por estas mesmas tentações. Assim a da gula, a que respondeu: “Nem só de pão vive o homem”. A tentação da glória vã corresponde ao convite pelo demónio de o colocar no cimo do Templo e de se lançar daí abaixo. A tentação da avareza surge quando o demónio o convida a prostrar-se diante dele e a adorá-lo. Jesus replica-lhe então: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto”.

Estas três tentações são também as nossas e é com Jesus que podemos vencê-las. Para a gula, devemos procurar o nosso alimento na Palavra de Deus. Também nós amamos demasiado o dinheiro e os bens materiais; António diz precisamente: “Todos os que amam o dinheiro ou a glória do mundo se prosternam diante do demónio e adoram-no.”

O mundo em que vivemos é sempre o mesmo; Jesus venceu-o pela autoridade da sua palavra que se concretizou quando morreu na cruz. Nós devemos também retirar-nos para “deserto da penitência” para vencer a “paixão da gula, o vento da glória vã e o fogo da avareza”.

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