Explicação do Pai Nosso

No quinto centenário do início da Reforma luterana (1517-2017), a publicação em Portugal de escritos de Martinho Lutero representa um passo muito importante na busca dos caminhos de reencontro e de comunhão. E haverá algo de mais denso e significativo que una todos os cristãos do que a oração do Pai Nosso?

Publicada em 1519, a Explicação do Pai Nosso resulta de um conjunto de pregações realizadas anos antes por Lutero junto dos fiéis. Trata-se de uma obra breve, ao estilo oral, que comenta passo a passo as diferentes petições da oração do Senhor. O Pai Nosso torna-se o ponto de partida para ler a oração cristã à luz do Evangelho, na busca do modo correto de orar, agradável a Deus. “Este modo consiste em usar poucas palavras, mas muitas intenções ou pensamentos profundos. Quanto menos palavras, tanto melhor é a oração; quanto mais palavras, tanto pior é a oração. Cristão é o uso de poucas palavras e de muitas intenções, como próprios de um pagão são as muitas palavras e as poucas intenções”.

Aqui encontramos o cerne da intenção do autor: a busca do centro e do essencial da vida cristã, uma vida verdadeiramente reformada segundo a pureza das origens cristãs. A Explicação do Pai Nosso torna-se, assim, uma obra de leitura universal, a partir das coordenadas e da linguagem próprias do seu tempo. E o leitor será convidado a redescobrir, nestas páginas, a vida da graça e dos mandamentos, o perdão divino e quotidiano, a proximidade e a glória do Senhor, a certeza da sua fidelidade, a bênção e a exigência da fé – afinal, os temas caros para Martinho Lutero e que tocam o coração que une as Igrejas, numa profundidade não atingida nem afetada pelas disputas históricas e eclesiásticas. “A palavra e a promessa divinas é que tornam boa a oração, e não a tua devoção. Com efeito, é esta fé, fundada nas suas palavras, que constitui a verdadeira devoção, sem a qual as devoções não passam de um engano e de um erro”.


Autor: Martinho Lutero
Edição: Edições 70
Páginas: 104

Mensageiro de Santo António
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