Entrevista com Patrícia Pontífice

Patrícia Pontífice é Professora Doutora e Coordenadora do Curso de Licenciatura em Enfermagem do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa.

Patrícia Pontífice é Professora Doutora e Coordenadora do Curso de Licenciatura em Enfermagem do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa
Patrícia Pontífice, Professora Doutora e Coordenadora do Curso de Licenciatura em Enfermagem do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa

A entrevista, conduzida por Francisco Vaz, decorreu no Laboratório da Escola de Enfermagem da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. O local não podia ser mais paradigmático: um laboratório para uma conversa sobre a mulher na Igreja. Como no laboratório da vida onde se experienciam vivências e encontros. Por isso mesmo, mais que uma entrevista, aconteceu um encontro.

Como interpreta a visão que a Igreja tem hoje sobre as mulheres e a sua participação na vida da Igreja?

Fazendo um pouco o balanço daquilo que tem sido a aceitação da mulheres pela Igreja, julgo que tem havido uma abertura e aceitação de um papel mais ativo das mulheres nas atividades e na vida da Igreja. Vejo assim com agrado uma Igreja mais receptiva e mais aberta com maior aceitação e também com mais respeito pela mulher do que no passado. Há, por assim dizer, uma perspectiva mais equitativa do feminino na Igreja.

Quanto aos passos concretos que têm sido dados, quais são os mais significativos na sua opinião?

Parece-me que essa evolução se tem vindo a verificar mais nos documentos do magistério e na doutrina.
Embora tenha havido uma tentativa de aproximação entre aquilo que é a doutrina e a abertura ao papel da mulher na Igreja, ainda não foi possível concretizá-la com gestos e ações.
A partir do Concílio Vaticano II houve precisamente essa intenção. Vários documentos da chamada Doutrina Social da Igreja dos Papas pós Concílio mostram essa intenção de abertura ao papel das mulheres na Igreja, mas falta até agora a sua operacionalização. Falta concretizar todas as boas intenções desses ideais em atos e gestos no dia a dia da Igreja.

Qual o caminho e ações que, na sua opinião, é necessário implementar para que no futuro as mulheres venham a assumir um papel mais ativo na Igreja?

Há que pensar numa articulação mais sólida e mais constante da própria mulher, fazendo valer-se da sua própria especificidade feminina. Isto passa também por uma mudança de atitude que exige uma atenção e participação mais efetiva da parte das mulheres em geral.
Penso que a vivência da própria fé é um dado importante a ter em consideração para essa operacionalização de que falava.
Há aqui um desafio que nos é imposto constantemente pela própria evolução do mundo.
As situações que vão acontecendo, as contradições e as próprias condições culturais devem levar-nos a alterar a nossa forma de viver e de atuar.
Penso também que é necessário que a mulher se afirme junto da Igreja. Talvez a mulher não tenha tido ainda a coragem de se afirmar.

O que pensa da dinâmica que o papa Francisco tem imprimido ao seu pontificado no que respeita à participação das mulheres na Igreja?

O papa Francisco tem sido um revolucionário. Acho que ele tem mexido e agitado vários aspectos.
O papa Francisco tem valorizado a mulher e o seu papel. Tem conseguido fazer algumas mudanças para que as mulheres possam realmente participar e contribuir mais efetivamente para uma Igreja mais universal e, portanto, mais católica.

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