Com Jesus, a justiça torna-se fraterna

A Palavra de Deus

Em verdade vo-lo digo. Se a vossa justiça não ultrapassar a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no reino dos Céus.

“Vós aprendestes que foi dito aos antigos: não matarás, e se alguém cometer um assassinato, terá de ser julgado. Pois bem! eu digo-vos: Todo aquele que se puser em cólera contra o seu irmão deverá ser julgado. Se alguém insultar o seu irmão, deverá passar perante o tribunal. Se alguém o tratar de louco, é passível da geena de fogo.
Portanto, quando vais apresentar a tua oferta ao altar, se, aí, te lembrares de que o teu irmão tem qualquer coisa contra ti, deixa a tua oferta, ali, diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta”.

Mateus 5 , 20-24

A palavra de Santo António

Se a vossa justiça não ultrapassar a dos escribas e dos fariseus. A justiça consiste em atribuir a cada um o que lhe pertence: a honra a Deus, a desconfiança para consigo próprio, o amor ao próximo, o desprezo para com o mundo, o ódio ao pecado.

A estes cinco destinos correspondem as cinco qualidades contidas no cântico de entrada deste domingo: se tu prestares honra ao Senhor, o Senhor será a tua fortaleza. Se desconfiares de ti próprio, Ele protegerá a tua salvação. Se amares o teu próximo, salvar-te-ás com ele. Se desprezares o mundo, ele abençoar-te-á como o seu herdeiro. Se odiares o pecado, ele guiar-te-á e viverás com ele para sempre (cf. Salmo 27, 8-9). O evangelho está também de acordo com a epístola deste dia: “Batizados em Cristo Jesus, na fé de Jesus Cristo, é na sua morte, no seu sangue, que fomos purificados. Fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte, pela mortificação dos nossos vícios; e tal como Cristo, sofrendo a sua paixão, repousou no túmulo, também nós, sofrendo a cruz da penitência, repousaremos e não teremos mais a imagem e a lembrança dos nossos pecados.

Também devemos fazer prova do nosso amor pelo próximo, a fim de que, tal como Cristo ressuscitou dos mortos para a glória do Pai, também nós vivamos, numa vida nova”. Cristo, depois da ressurreição, mudou a tristeza em alegria; assim, ressuscitados das nossas obras mortas, alegremo-nos com o nosso próximo e vivamos uma vida nova (cf. Romanos 6, 3-5).

Aprofundemos

Há a justiça dos hipócritas e a dos verdadeiros penitentes.
No início deste ano, a liturgia do domingo segue o evangelho de S. Mateus no sermão da montanha. Sublinhe-se uma frase sobre a lei nova que Jesus anuncia claramente: “Se a vossa justiça não ultrapassar a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no reino dos Céus.” (Mt 5, 20) Que justiça nova é pois esta que deve ultrapassar a da lei antiga observada pelos fariseus? S. António ajuda-nos pela precisão das suas reflexões.

Opõe a justiça dos fariseus à dos apóstolos, dizendo mesmo que há a justiça dos hipócritas e a dos verdadeiros penitentes. “A justiça dos fariseus consistiu em dominar a mão, não o espírito. Por isso os judeus pensavam que ela não podia estar no pensamento, viam-na só na ação”. Praticar ações justas é sem dúvida bom, mas porque não é suficiente? A ação é boa na condição de ajudar à conversão real de toda a vida e não só do que é visível, como Jesus já tinha sublinhado (Mt 23). Os fariseus insistiam sobretudo na purificação das mãos e das taças, na elegância das vestes, com uma múltipla variação das instituições e dos preceitos. São ações que não vão necessariamente no sentido de uma verdadeira conversão. Quando se trata da justiça que Jesus propõe, S. António designa-a por “justiça dos penitentes”. Dois esforços devem reunir-se para que se trate verdadeiramente de uma nova justiça: a rejeição da prosperidade terrestre e a mortificação do nosso corpo. Sem esquecer o amor da pobreza e o espírito de fraternidade.

Que o conselho de António nos ajude na nossa vida de hoje: “Se amares o teu próximo, salvar-te-ás, tu e ele. Se desprezares o mundo, ele abençoar-te-á, a ti, que és seu herdeiro”.

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