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O fruto da justiça

Ao começarmos um novo ano, não podemos deixar de nos referir à Mensagem que o Papa Francisco enviou a todos os homens e que tem como lema “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz”.

Num mundo marcado pelo medo de possíveis ameaças à sua segurança e tranquilidade e preocupado em se defender, fechando portas e erguendo barreiras, aparece uma proposta totalmente contrária: a de acolher, promover, proteger e integrar. Será uma voz desafinada num coro cada vez mais alinhado ou uma voz corajosa num coro alienado?

A nossa história recorda-nos que a convivência pacífica entre povos e nações não é fruto da discriminação, da força, do poder ou da violência. As “pazes” assinadas ao longo da história humana foram muitas; nenhuma delas foi duradoira. Entretanto, apareceu alguém que propõe um novo caminho para a humanidade, a partir de uma nova forma de ver as coisas: em vez de considerar o outro como adversário e inimigo, considera-o como irmão, filho do mesmo Pai. Esta proposta constituiu uma contínua interpelação para a humanidade e nunca ninguém conseguiu abafá-la, simplesmente porque é a única que torna possível alcançar a verdadeira paz.

O Papa Francisco relança esta proposta, numa circunstância particularmente dramática para o mundo que se depara com 250 milhões de migrantes, dos quais 22 milhões e meio são refugiados. Porquê há tantos refugiados e migrantes – pergunta o Papa? As razões são várias: conflitos armados, outras formas de violência, fome, falta de trabalho e de instrução, enfim, o desejo de uma vida digna, vivida em paz e justiça. Eis, portanto, o convite do Papa: “olhar para as migrações com um olhar repleto de confiança, como oportunidade para construir um futuro de paz”. Um olhar que descubra nestas pessoas o próprio Deus que se tornou “peregrino” na nossa Terra e nos pede, Ele mesmo, auxílio e proteção.

Foi o que o Messias, Jesus de Nazaré, fez ao vir a este mundo: tornou-se pequeno e entregou-se nas nossas mãos, pediu-nos uma casa para o acolher, água para beber, roupa para vestir… Ele, que não precisava de nada, porque tudo é d’Ele; entregou-nos tudo a nós para que apreendêssemos a repartir, partilhar, doar. Eis a Sua justiça! E o fruto desta justiça é a Paz que não tem fim, porque tem em si uma Beleza que faz novas todas as coisas. A paz, portanto, não é estabilização de estruturas, mas é uma fonte que faz brotar continuamente a alegria de viver!

Aos nossos leitores e amigos, o Mensageiro de Santo António deseja um olhar de confiança, uma alegria sempre nova e a paz do coração.

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