Jesus, alegria dos que procuram

A Palavra de Deus

Jesus tinha nascido em Belém, na Judeia,
no tempo do rei Herodes o Grande.
Ora eis que uns magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém
e perguntaram: “Onde está o rei dos Judeus que acaba de nascer?
Vimos a sua estrela no oriente e viemos prostrar-nos diante dele”.
[…]
E eis que a estrela que tinham visto no oriente andava adiante deles,
até que parou por cima do sítio onde se encontrava a criança.
Quando viram a estrela, tiveram uma alegria muito grande.
Entraram na casa, viram a criança com Maria, sua mãe e,
caindo a seus pés, prostraram-se diante dela. Abriram os seus cofres
e ofereceram-lhe os seus presentes: ouro, incenso e mirra.

Mateus 24 , 37-44

A palavra de Santo António

Jesus tinha nascido em Belém…Vimos a sua estrela no oriente. Chegaram a Jerusalém. A estrela é a manifestação da misericórdia que conduz para Cristo, manhã da verdade.
Jerusalém é o estado da vida nova, onde reinam a maravilhosa paz da consciência pacificada, a confiança de uma vida santa, a abundância da caridade fraterna.

E eis que a estrela que eles tinham visto em Jerusalém. Ó misericórdia de Deus! Nunca ela se esquece de usar de misericórdia! Depressa ela está presente para aquele que regressa a ela.

A estrela ia adiante deles. “O Senhor caminhava com eles”, diz o Êxodo (Êx 13, 21), “de dia numa coluna de neblina para indicar o caminho, à noite numa coluna de fogo para os iluminar”. A coluna de neblina, de dia, era contra o calor do sol; a coluna de fogo, à noite, contra as trevas e as artimanhas das serpentes. A graça divina é designada por coluna, porque ela dá suporte; neblina, porque refresca do calor da vaidade; fogo, contra a infidelidade, as trevas da adversidade e o veneno da tentação.

Ela para por cima do sítio onde estava a criança: eis o termo da viagem, a alegria do que procura, a recompensa do que encontra. Alegria, pois, para os corações “que te procuram”, Jesus. E se tu és alegria para “os que te procuram”, quanto mais o serás para “os que te encontram”. Corre, pois, atrás da estrela, ela conduz-te à vida. Fatigar-te-ás pouco, chegarás depressa e encontrarás o desejo do teu coração.

Aprofundemos

Com os magos, entremos na casa da nossa consciência. Um apelo à conversão profunda da nossa vida.

A primeira celebração do mês de janeiro é sempre a festa da Epifania. Santo António ensina-nos a modificar o nosso olhar sobre a atitude dos Magos, que vêm de longe para honrar o Menino Jesus com a sua mãe. Nota a importância dada ao verbo “entrar”. Com efeito, o texto do evangelho diz que os Magos entraram na casa para se prosternarem diante do Menino Jesus e abrirem os seus cofres. “Porque entram, encontram, prosternam-se e adoram”.

António recorda uma outra narrativa evangélica em que o verbo “entrar” tem uma grande importância: a parábola do Filho pródigo; com efeito, o irmão jovem foi acolhido pelo Pai dos céus com grande alegria, enquanto o mais velho “recusava entrar” na casa (Lucas 15, 28). Assim, os Magos, que vêm de países longínquos que até se não conhecem, devem passar a porta; e só depois de terem entrado na casa vão descobrir e adorar o Menino Deus.

E António faz a aplicação à nossa vida de fé, dando ao facto de entrar em casa o sentido de uma real conversão: “Os penitentes entram pois na casa da sua consciência e encontram aí a inocência, na relação com o próximo, e a pureza, na relação consigo próprios. Não se orgulham com isso, mas prostram-se com a face na terra, adoram piedosa e fielmente aquele que deu a graça”. Convida-nos a agir como os Magos, a não desvelar os nossos tesouros antes de ter passado a porta, a da nossa consciência: “Não desvelemos os nossos tesouros no caminho, até que, tendo ultrapassado os nossos inimigos, os ofereçamos só a Deus no segredo do coração”.

Assim, a festa da Epifania não está centrada só na atitude dos Magos e na oferta de ouro, incenso e mirra. É um chamamento à conversão profunda da nossa vida, dia após dia.

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