Em nome de todo o mundo o Papa pede perdão aos rohingya

Depois de ter evitado usar a palavra “rohingya” quando esteve em Myanmar (antiga Birmânia), o Papa Francisco referiu-se esta sexta-feira de forma explícita à comunidade rohingya num breve discurso, no final do encontro inter-religioso sobre a paz, que contou com a participação de um grupo da etnia rohingya expulso de Myanmar

Reproduzimos as palavras do Papa no encontro, em Daca, com refugiados rohingya dos campo de Kutupalong e Nayapara, junto à fronteira com Myanmar:

Todos nós estamos próximos de vós. É pouco o que podemos fazer porque a vossa tragédia é muito difícil e grande, mas guardamos espaço para vós no nosso coração. Em nome de todos aqueles que vos perseguiram e vos maltrataram, peço perdão. Alguns de vós falaram-me do grande coração do Bangladesh que vos recebeu. Apelo ao vosso grande coração para que seja capaz de nos conceder o perdão que vos pedimos.

Na tradição judaico-cristã, Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança. Todos nós somos essa imagem. Também estes irmãos e irmãs são a imagem do Deus vivo. A tradição da vossa religião diz que Deus tomou água e derramou sal sobre ela, a alma dos homens. Todos trazemos o sal de Deus dentro de nós. Também estes irmãos e irmãs.

Mostremos ao mundo o que o egoísmo faz com a imagem de Deus. Continuemos a estar próximos deles para que seus direitos sejam reconhecidos. Nós não fechamos o coração, não olhamos para o outro lado. A presença de Deus hoje também se chama rohingya. Cada um tem a sua resposta.

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