As mulheres na Igreja… Que futuro?

Em Agosto de 2016, depois de “oração intensa e reflexão madura”, o Papa Francisco criou a “Comissão de Estudo sobre o Diaconato das Mulheres” para estudar a questão do diaconato das mulheres nos primeiros tempos da Igreja.

Muitos teólogos são unânimes em considerar que há bastantes evidências de que houve mulheres diaconisas na Igreja primitiva. Há registos de mulheres diaconisas na Grécia, na Ásia Menor, na Dalmácia, na Síria, na Palestina e no Ocidente. Sabe-se que João Crisóstomo, em Constantinopla, tinha cerca de 40 diaconisas.

Apóstola dos Apóstolos

Por outro lado, alguns Padres da Igreja, como Orígenes, Ireneu e Ambrósio, chamaram a Maria Madalena “Apóstola dos apóstolos”, reconhecendo-lhe a prioridade na fé e na missão, pelo que, ao que parece, o primeiro cristão foi uma cristã.

Já S. Agostinho sublinhava que “os Apóstolos, futuros evangelistas, receberam de mulheres o anúncio do Evangelho”. Entre elas figuram as que seguiam Jesus desde a Galileia e nas horas críticas do calvário foram as que aguentaram a pé firme junto à cruz e desempenharam um papel privilegiado como testemunhas da ressurreição.

Não há homem nem mulher

Temos hoje consciência de que a tradição judaica e depois a tradição católica se deixaram tomar por uma notória discriminação sexista entre homem e mulher, que levou à exclusão feminina das principais funções hierárquicas e litúrgicas, contrastando com o proclamado por Paulo: “não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher, porque todos sois um só em Cristo” (Gal 3,28).

Não havendo quaisquer razões teológicas, contra a ordenação sacerdotal das mulheres, qual o motivo que tem levado a Igreja a recusar a admiti-las às ordens sacras?

Um debate em curso

Tem-se argumentado que essa exclusão se poderia filiar simplesmente nos costumes da época e na situação social da mulher. Constituiria até um desprestígio para a Igreja. Seria algo de impensável no ambiente social dos princípios da nossa era, que uma mulher pudesse ascender a tão alto ministério.

Contudo, parece-nos que tal argumentação é pouco consistente, pois se é verdade que entre os judeus as mulheres não tinham acesso ao sacerdócio, o mesmo não sucedia entre os pagãos, aos quais o cristianismo se estendeu logo desde o início. Em muitas das religiões pagãs, desde os tempos mais antigos, e em especial na Grécia e em Roma, havia sacerdotisas. Portanto, nada haveria de estranho se os Apóstolos tivessem conferido o sacerdócio a mulheres.

Este debate agora em curso remonta ao Concílio Vaticano II que, ao restaurar o diaconato permanente para os homens, relançou a reflexão sobre o diaconato para as mulheres. Lembremos que de acordo com o mesmo Concílio é dever «da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho» (Constituição pastoral Gaudium et spes, 4).

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