As inquietantes perguntas do Evangelho

Longe vai o tempo em que a nossa catequese assentava no modelo de pergunta e resposta, onde o catecúmeno deveria recorrer à memória para pronunciar as fórmulas da fé. Também os Evangelhos nos proporcionam um riquíssimo conjunto de perguntas propostas por Jesus (cerca de 230 perguntas, segundo Ermes Ronchi), mas a diferença situa-se nas respostas: no Evangelho, as perguntas que Jesus endereça aos seus discípulos pedem uma resposta vital, uma entrega confiada, abrem um espaço de sentido e de graça. As perguntas – como as parábolas – procuram abrir e não fechar: as respostas devem partir de nós mesmos e da nossa experiência. Como refere Ronchi: “A pergunta é a comunicação não-violenta, que não faz calar o outro, mas que potencia o diálogo, envolve o interlocutor e ao mesmo tempo o deixa livre. O próprio Jesus é uma pergunta. A sua vida e a sua morte interpelam-nos acerca do sentido último das coisas, interrogam-nos sobre aquilo que nos faz felizes na vida. E a sua resposta é Ele”.

Ronchi – presbítero italiano – é já conhecido entre nós através de obras publicadas na linha da espiritualidade cristã. As inquietantes perguntas do Evangelho resultam de um retiro orientado pelo autor ao Papa Francisco e à cúria romana em 2016: partindo de dez perguntas apontadas por Jesus nos Evangelhos, Ronchi propõe um caminho de renovação espiritual e de encontro com o essencial da experiência cristã. A beleza da sua escrita e as ricas citações literárias tornam este livro um excelente auxílio para o leitor na sua busca do rosto de Jesus.

“Jesus usa o método das perguntas para fazer crescer os seus amigos. As suas perguntas são centelhas que acendem algo, que movimentam transformações e crescimentos. Com as perguntas, Jesus estimulava a mente das pessoas para as levar a caminhar por si mesmas e a transformar a sua vida, não como espectadores passivos. Era um Mestre da existência e queria os seus discípulos como pensadores e poetas da vida”.

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