A conversão novo nascimento

A Palavra de Deus

O povo que andava nas trevas viu uma grande luz;
habitavam numa terra de som­bras, mas uma luz brilhou sobre eles.
Multiplicaste a alegria, aumentaste o júbilo;
alegram-se diante de ti como os que se alegram no tempo da colheita,
como se regozijam os que repar­tem os despojos.
Pois Tu quebraste o seu jugo pe­sado, a vara que lhe feria o ombro
e o bastão do seu capataz, como na jornada de Madian.
Porquanto um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado;
tem a soberania sobre os seus om­­bros, e o seu nome é:
Admirável Conselheiro, Deus Forte, Pai Para Sempre, Príncipe da Paz.
Dilatará o seu domínio com uma paz sem limites,
sobre o trono de David e sobre o seu reino.
Ele o estabelecerá e o conso­li­da­rá com o direito e com a jus­tiça,
desde agora e para sempre.
Assim fará o amor ardente do Se­nhor do universo.
(Isaías 9, 1-3, 5-6)

A palavra de Santo António

Nasceu-nos um filho. A propósito deste filho, diz Mateus: “Se não voltardes a ser como as criancinhas…” (Mt 18, 3).
Quando um homem que pertence ao mundo se converte e se torna filho de Cristo, devemos exultar de alegria, e dizer: “Nasceu-nos um filho”. A mulher, a santa Igreja, prestes a dar à luz na pregação ou na sua compaixão, entristece, mas quando, na confissão, deu à luz o novo convertido, esquece a dor, na alegria de ter vindo ao mundo um homem (cf. João 16, 21).

Foi-nos dado um filho. Demos graças a Deus, porque, de escravos do mundo e do demónio que éramos, nos tornámos filhos de Deus. Tem a soberania sobre os seus ombros, ou seja, o jugo da penitência, pela qual domina o seu espírito e as suas tentações.

E deram-lhe este nome: Admirável. O penitente, quando se examina bem, vê coisas maravilhosas no fundo do seu coração. Conselheiro. O homem justo aconselha o cego, que não vê o interior da sua consciência, e o manco que se afasta do caminho reto. Deus. Deus em grego significa “que vê”. O penitente vê as realidades superiores na contemplação, e corre na luta da penitência. Forte e Pai Para Sempre, pela palavra e pelo exemplo. Príncipe da Paz. Escondido para o mundo pela contemplação, dormirás tranquilo e ninguém te inquietará.

A vida da Criança recém-nascida é bem a estrela que acompanha todas as etapas da nossa vida.

Aprofundemos

Neste sermão para o Natal, Santo António aplica todas as expressões de Isaías 9, 1-6 ao penitente, porque, à imagem da Criança do presépio, Filho de Deus feito homem, ele é o recém-nascido. Como um recém-nascido, com efeito, ele é o fruto das dores da sua mãe. A Igreja sofreu com as suas traições, chorou e rezou pela sua conversão, como Mónica, a mãe de Santo Agostinho. Como um recém-nascido, foi alimentado pelo leite da graça que iluminou as pregas escondidas da sua consciência; reconheceu os seus erros e lançou-se na via do Senhor. Banhou-se no sangue desta mesma graça que o alimentou e susteve ao longo do caminho. Como um recém-nascido, ele alegra a sua mãe; e os seus irmãos, crentes da terra e habitantes dos céus, festejam o seu retorno.

Além desta imagem da criança, António dá ao convertido recém-nascido todos os títulos que Isaías dá à criança-rei que salvará os reinos de Israel e de Judá, e que prefiguram Jesus, a Criança-Deus. Ele é filho, e não mais escravo. É senhor da sua vida e do seu destino. É objeto de graças maravilhosas, como Maria. Pode, doravante, iluminar a estrada dos seus irmãos que procuram, angustiados, o seu caminho; e apoiar os fracos que têm falta de coragem, de confiança e caem no caminho.

Ele é “deus”. Em grego, explica António, esta palavra significa “que vê” e “que corre”. O penitente corre com confiança à descoberta do seu Deus, para viver com ele e o comunicar a todos os seus irmãos. Este canto em glória de Cristo, recém-nascido, repetimo-lo no Natal, por todos os recém-nascidos da fé.

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