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Da mortalidade à imortalidade

A Palavra de Deus

Jesus falava aos seus discípulos sobre a sua vinda:
“A chegada do Filho do homem
assemelhar-se-á ao que se passou no tempo de Noé…
Antes do dilúvio, as pessoas comiam, bebiam, casavam,
até ao dia em que Noé entrou na arca.
As pessoas não suspeitavam de nada,
até ao dilúvio que os arrebatou a todos:
assim será com a chegada do Filho do homem…”
“Estai pois vigilantes, porque não conheceis o dia
em que virá o vosso Senhor…
Estai prontos, pois, vós também:
será quando menos pensardes
que o Filho do homem virá.”
(Mateus 24 , 37-44)

A palavra de Santo António

“O oleiro sentou-se para o seu trabalho, movendo com os pés o seu torno, para realizar a sua tarefa…” (Si 38, 29).
O Filho de Deus fez girar com os pés da sua humanidade a roda da nossa natureza, que corria para a morte. Assim, àquele a quem foi dito “Tu és pó e em pó te tornarás”(Génesis 3, 19), dir-se-á doravante: “Tu és feliz e fruirás de todo o bem” (Salmo 127, 2).
“Sou a vida” (João 14, 6), para aqueles que vivem sem a morte. Eu vivo, e também vós vivereis” (João 14, 19). Donde Isaías: “Os dias do meu povo igualar-se-ão aos dias das árvores” (Isaías 65, 22). Com Cristo, cujos dias são eternos, não haverá mais morte (Apóstolos 21, 4). O nosso Deus “não é o deus dos mortos, mas dos vivos” (Marcos 12, 27).

Eu sou a vida na recompensa. Uma vida que não falha.
O Senhor disse pela boca de Isaías: “Os teus mortos voltarão a viver, os teus cadáveres ressuscitarão. Acordai e cantai, vós que habitais no pó, porque o teu orvalho é um orvalho de luz” (Isaías 26, 19).
O orvalho simboliza o Espírito de verdade, denominado com razão orvalho de luz, porque traz a frescura e ilumina. Quando chega o orvalho da luz, os que morreram para o pecado vivem com a vida da graça e ressuscitam na penitência. Acordai, pois, vós, os que estais derreados pelo sono do pecado e confessai o vosso erro, porque o orvalho de luz, o Espírito Santo, o pai dos penitentes, o consolador dos que choram, virá.

Aprofundemos

António evoca a morte sob os seus diferentes aspetos: fim das fadigas e das preocupações, o defunto (de-functus) é o que cumpriu a sua tarefa, caminho que vai para o seu fim (obitus, “afastar-se”), perda de vida (interitus, “que deixou de andar”, de viver), mas a sua evocação, embora presente sob luz negativa, desemboca na vida… Porque, se a morte física destrói a nossa veste carnal, a verdadeira morte é a que fere a nossa qualidade de filhos de Deus, criados à sua imagem, pela indiferença, a recusa, o desprezo da vontade de Deus e do seu amor: ferida que tem o nome de pecado.
Aliás, são numerosos os apelos de António, nas 400 ocorrências das palavras “morte” que desembocam na vida. Vida de amizade com Deus, depois da penitência e do perdão; vida feliz e preenchida, depois do desaparecimento do corpo no pó; vida do Espírito, “orvalho de luz”, que consola todas as lágrimas e faz penetrar na plena Luz de Deus, que recompensa todas as dificuldades da vida. Porque o Deus que encontraremos “não é o Deus dos mortos, mas dos vivos” (Marcos 12, 27).

Esta certeza de fé baseia-se na promessa de Jesus selada pela sua morte na cruz e pela sua Ressurreição. A sua morte destruiu a morte do pecado e a morte do corpo que dele provinha. Pela sua Ressurreição tornou-se o pontífice, o “fabricante de pontes” que nos faz passar da margem da mortalidade à margem da imortalidade junto de Deus.
Então, estejamos vigilantes à espera do juiz, mas confiantes também no encontro com o Pai.

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