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Um verão anómalo

Até o relógio do Big Ben parou… e o sol eclipsou-se!

Não há dúvida que este verão foi verdadeiramente anómalo. Começámos com a tragédia de Pedrógão Grande; continuamos com os incêndios em todo o lado, não só em Portugal, mas em toda a área mediterrânica, enquanto os países mais a norte sofreram as intempéries do vento e das chuvas; os conflitos entre homens e países agudizaram-se: houve corrida às armas e manifestações de força; entretanto, intensificaram-se as tragédias do terrorismo e das migrações: há quem ganha sobre a morte do irmão e a vida não é tida em conta… Será que o sol se eclipsou pela vergonha de assistir a tanta treva e a tanto mal?

Houve um dia, a 13 de outubro de 1917, em que, na Cova da Iria – Fátima, se deu o chamado “Milagre do sol”. A crónica do tempo refere: “A chuva que caía cessou, as nuvens entreabriram-se deixando ver o sol, assemelhando-se a um disco de prata fosca, podia fitar-se sem dificuldade e sem cegar. A imensa bola começou a girar vertiginosamente sobre si mesma como uma roda de fogo. Depois, os seus bordos tornaram-se escarlate e deslizou no céu, como um redemoinho, espargindo chamas vermelhas de fogo. Essa luz refletia-se no solo, nas árvores, nas próprias faces das pessoas e nas roupas, tomando tonalidades brilhantes e diferentes cores. Animado três vezes por um movimento louco, o globo de fogo pareceu tremer, sacudir-se e precipitar-se em ziguezague sobre a multidão aterrorizada. Tudo durou uns dez minutos. Finalmente, o sol voltou em ziguezague para o seu lugar e ficou novamente tranquilo e brilhante”.

Daqui a um mês, iremos celebrar o centenário deste acontecimento que encerrou o ciclo das aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos de Fátima. Também aqueles foram tempos difíceis e dolorosos, não menos do que os nossos. Todavia, o “milagre do sol” parece apelar para não termos medo diante das tragédias da vida, mas encarar a vida com esperança e responsabilidade. Não estamos entregues às forças do mal, mas estamos nos braços de um Pai misericordioso!
O Papa Francisco, na sua vinda ao Santuário de Fátima, repetiu com força: “Nós temos uma Mãe!”. É o mesmo legado que recebemos de Jesus na cruz, na pessoa do apóstolo João: “Eis a tua Mãe!”. O filho que tem uma mãe vence o medo e abre-se à confiança na vida.

Porque, então, tantos sinais apocalípticos e assustadores? Provavelmente nunca chegaremos a compreender o “porque” destes sinais; até o próprio Jesus não se preocupou de os explicar, todavia afirmou perentoriamente: “se não vos converterdes, perecereis da mesma maneira!” (cfr: Lc 13, 1-5).

A atitude que Jesus pede aos seus discípulos é a vigilância, isto é, o cuidado do tesouro que nos confiou: a criação e a obra da redenção. Todos os homens são chamados a esta responsabilidade, mas nós, cristãos, temos uma missão particular: começar por nós próprios, sendo “sal da terra e luz do mundo”.

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